Eu
gosto dessas contradições da vida. Indefiníveis, mas não indecisas.
Eu
gosto da grosseria que por dentro se derrete de amores, gosto da fofura nada
delicada, gosto do choro de alegria, gosto da alegria que machuca o coração, da
beleza que faz doer os olhos. Eu gosto desses adultos crianças e dessas
crianças maduras. Gosto dessas qualidades que, teoricamente, não poderiam andar
de mãos dadas, mas o fazem. E, ao fazê-lo, resultam em algo tão bonito,
singular e interessante. Indefinível.
E
é essa a beleza da vida. Conhecer um pedaço de alguém ou de algo, mas nem por
isso poder descrever precisamente todo o resto. Porque alguém pode ser dois
opostos e você pode levar uma vida pra aprendê-la. Não entendê-la. Entender
tudo não faz parte do que quer que seja que estamos fazendo aqui. Mas aprender
tudo que puder...ah, isso sim.
E
quanto a gente não aprende com aqueles momentos de dor e alegria? Quantas vezes
aprendemos a sorrir pra não chorar?
É
disso que eu gosto. Momentos e pessoas que não podem ser engarrafados e
rotulados, como fazemos com remédios, prescrevendo detalhadamente os componentes
e instruções de uso. A graça de tudo está em aprender a usar.