sexta-feira, fevereiro 14, 2014

Desproporcional

A dor da decepção é proporcional ao tamanho da expectativa.
A dor no seu coração vai ser proporcional ao do espaço que a pessoa que o machucou ocupava.
A sensação de estar perdido na escuridão é proporcional à luz que aquela pessoa era pra você.
Então você se transforma em um recipiente pequeno demais para tantas reações químicas. Pequeno e resistente demais. Por maiores que sejam as explosões, por piores que sejam os conflitos, ele não te quebram. Eles só te racham.
As rachaduras são proporcionais ao tamanho dos sentimentos conflitantes.
Raiva e amor.
O amor que lhe impede de sentir raiva de verdade. A raiva que lhe impede de continuar a amar.
E esses sentimentos vão batalhando dentro de você. Um tentando sufocar o outro enquanto você tenta encontrar sentido no mundo que se esvaziou. No mundo que escureceu.
Você tenta achar qualquer apoio, qualquer coisa em que possa se agarrar para sustentar a raiva ou o amor. Qualquer um dos dois. Você só precisa que um ganhe. Você só precisa que essa guerra pare.
Mas não há razões grandes o suficientes para avolumar a raiva. A decepção não é tão grande para apagar as alegrias vividas. A frustração não é grande o suficiente para apagar a gratidão.
Mas foi real?
Se a decepção e frustração estão aqui, será que é porque nada disso foi baseado em algo real? Foi tudo enganação?
Não pode ter sido. Pode?
Não. Nem o maior dos mágicos conjuraria uma ilusão tão grande. O carinho, as risadas, o brilho no olhar. Isso não se cria, simplesmente acontece.
Então você percebe.
O amor é proporcional a…
Sorissos, compreensão, apoio, orgulho, conquista, piadas, olhares?
Não.
É então que você percebe.
Ele vai ganhar. Amanhã. Ou depois. Ou daqui a um mês. Mas ele vai ganhar.
O amor não é proporcional. Ele só é. Ele existe porque existe.

sexta-feira, agosto 23, 2013

My Captain!

O Captain! My captain!

Me faz lembrar de pessoas subindo em mesas na sala de aula. Em um filme e na vida. Porque a arte imita a vida, não é mesmo?
E o dia em que o Capitão subiu naquela mesa, para algumas pessoas, tudo mudou. Para aquelas que conseguiram entender, é claro. Elas quiseram subir em suas próprias mesas. E subiram, mais tarde, a sua maneira. Elas subiram na mesa e mudaram suas próprias vidas, controlaram seus destinos e fizeram a diferença na vida de pessoas ao redor.
Algumas pessoas sobem em mesas e mudam o mundo. Algumas não sobem por medo de não serem capaz de mudar nada. Mas, acredite, muda. Muda o mundo de alguém e isso já uma grande mudança. Muda o seu mundo.
O Capitão subiu na mesa e ensinou o que podia a quem queria. E depois alguns Marinheiros também subiram. E eles se tornaram Capitães.
E é com prazer que digo:

O Captain! My Captain! Our fearful trip is done

terça-feira, abril 23, 2013

Inverno


As árvores ganham aquela aparência triste e é difícil acreditar que não estão todas mortas. Algumas acabam de fato morrendo.
As pessoas também parecem ter pedido um pouco de vida, andando agasalhadas e encolhidas pelas ruas. E aquele vapor formado pela respiração parece multiplicar a aparência carrancuda por cinco.
Os dias são mais curtos, as noites são mais longas. Menos luz, mais escuridão.
Mas a vida não muda por isso. Ainda temos que levantar no mesmo horário, sair do aconhego de nossas camas e enfrentar o frio.
É isso que todos dizem do inverno. É tudo no que as pessoas reparam.
Mas sabe o que eu reparo?
Lá pelas 17h30, quando o Sol já começa a se pôr, o céu ganha cores uma mistura linda de cores que o deixa parecendo um céu de um reino de conto de fadas. Laranja com nuvens roxas.

Mas as pessoas estão muito ocupadas, andando de cabeça baixa e resmungando para aproveitarem esse pequeno conto de fadas.

segunda-feira, abril 01, 2013

Só uma coisa


Does this drakness have a name?
(Essa escuridão tem nome?)


Esse espaço no peito. A cadeira. Aquele lugar específico à minha direita. Tudo vazio. E esse vazio? Tem nome?
Sei que tem dono. E parece que o eixo do mundo de deslocou agora que o dono não está lá. Mesmo tudo estando exatamente igual, tudo parece diferente. E tem uma coisa diferente. Uma única coisa. E essa coisa mudou tudo.
Mudou o começo. O cenário do começo. E como é diferente acordar num dia límpido e num dia chuvoso. É só uma coisa, mas muda tudo. Muda o começo.
Mudou o meio. O decorrer de todo esse processo. Porque é tão diferente fazer um esforço sabendo quando você terá uma pausa. E tiraram a pausa. Tiraram só uma coisa. É só uma coisa, mas muda tudo. Muda o meio.
Mudou o fim. Afinal, um “tchau” é diferente de um “até amanhã”. Tchau não é adeus, não é pra sempre, mas é até quando? Até amanhã é só  até amanhã e o amanhã não parece assim tão longe comparado à um dia que não sei. Só mudou o dia. É só uma coisa, mas muda tudo. Muda o fim.
E só uma coisa fora do lugar é o suficiente para deixar um vazio. Um vazio no peito.
Essa vazio tem um nome?
Pra mim ele tem.

Does this darkness have a name...is it your name?
(Esse escuridão tem nome...será o seu nome?)

Pra mim, o nome é saudade.


Citação retirada do episódio 16 da 3ª temporada do seriado One Tree Hill.

terça-feira, outubro 30, 2012

O que é fácil e o que é certo


Acho tão engraçado o fato de que, ás vezes, aquelas pessoas que mais exigem respeito são as que mais desrespeitam, as que mais exigem fidelidade são as que mais traem, as que mais exigem serem tratadas como adultas são as mais imaturas, as que mais exigem compreensão são as que menos compreendem, e assim vai. Assim caminha a humanidade, com passos de formiga e carregando uma boa dose de hipocrisia nas costas. Afinal, o jantar precisa ser servido, certo? E muitas vezes esse indigesto prato principal é servido na mesa de quem menos merece comê-lo.
Existe uma gana pro crescer, por se tornar adulto. O que poucos entendem é que as duas coisas não são iguais. Crescer, ganhar centímetros, fazer aniversário, acumular mais um ano, isso tudo acontece com todos, mas virar adulto parece estar ficando cada vez mais difícil. E eu não digo que, para ser adulto, a criança dentro de você tem que morrer, que você não vai mais poder rir ou chorar assistindo a uma animação com uma bela moral da história, que não vai mais poder jogar jogos no computador ou fazer coisas bobas, simples e essenciais de uma criança. Eu creio que podemos manter tudo isso, mas devemos aceitar nossas obrigações, que vêm de mãos dadas com nossos tão desejados direitos. Isso é se tornar adulto.
Ganhamos o direito de fazer nossas escolhas, seguindo nossos próprios desejos, mas, junto a isso, vem a obrigação de arcar com as consequências dessas escolhas. Com o passar do tempo, dizer que a culpa é de outra pessoa ou dizer que não tinha escolha já não é mais aceitável. Primeiro, a outra pessoa pode te dar conselhos, até mesmo tentar te influenciar da forma mais enfática, mas decisão final é sempre sua. Segundo, sempre temos escolha. Pelo menos duas. Normalmente uma faz você seguir um caminho bem mais fácil do que a outra.
Acho que as palavras que um velho bruxo cabem bem nessa situação. Muitos podem rir e dizer que ele não passa de um monte de palavras escritas num livro, mas, para os que sabem ler, nada é só um monte de palavras escritas num livro.
“Dark times lie ahead of us and there will be a time when we must choose between what is easy and what is right.” 
Vou tentar traduzir esse pequeno trecho, mas aviso: as palavras provavelmente perderão um pouco de efeito. Mas o que importa aqui é passar a mensagem.
"Tempos de trevas nos esperam e chegará o momento em que teremos que escolher entre o que é fácil e o que é certo."
Ser adulto é saber escolher o difícil quando for preciso.
Aqui vai mais um simples exemplo de diretos e obrigações (mais de direitos, na verdade): Alguns podem odiar esse texto. E é seu direito. Assim como é o meu não me importar nem um pouco com isso.